Hipotermia, chuva, vento forte e falta de abrigo adequado explicam mortes em propriedades rurais; caso acende alerta para manejo preventivo de rebanhos antes da chegada de novas frentes frias.
Mais de 80 bovinos morreram em Mato Grosso do Sul durante a onda de frio que atingiu o Estado em maio. Segundo registros atribuídos à Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de MS (Iagro), ao menos 83 animais morreram em cinco propriedades rurais após exposição prolongada a baixas temperaturas, chuva e ventos intensos.
A principal causa apontada é a hipotermia, condição em que o organismo perde calor mais rápido do que consegue produzir. No campo, o risco aumenta quando o gado permanece sem abrigo, molhado, exposto ao vento e sem proteção natural, como matas, quebra-ventos ou estruturas cobertas.
Como o frio levou à morte dos animais
Durante a frente fria, os termômetros chegaram a marcas abaixo de 7°C em algumas regiões, mas a combinação de chuva e vento reduziu a sensação térmica para perto de 0°C. Esse conjunto de fatores é especialmente perigoso para bovinos jovens, debilitados, magros, recém-transportados ou sem acesso a abrigo.
Quando o animal fica exposto por muitas horas, a temperatura corporal cai, o metabolismo perde eficiência e o organismo começa a falhar. Em casos graves, a hipotermia provoca fraqueza, dificuldade de locomoção, redução de reflexos, queda no consumo de alimento e água, colapso e morte.
A falta de abrigo agrava o problema. Pastagens abertas, sem vegetação de proteção ou estrutura contra vento e chuva, deixam o rebanho vulnerável justamente nos momentos de maior queda térmica.
Histórico recente preocupa produtores
Mato Grosso do Sul já havia registrado perdas expressivas por frio nos últimos anos. Em nota técnica publicada em maio de 2026, a Iagro informou que recebeu diversas notificações de mortalidade animal por hipotermia em 2023 e 2024, principalmente em bovinos. Em 2025, segundo o órgão, não houve comunicação de perdas por esse tipo de agravo não infeccioso.
O dado mostra que o problema não é isolado. Frentes frias intensas podem causar prejuízo econômico relevante ao produtor rural, além de sofrimento animal evitável quando há planejamento de manejo, monitoramento climático e adoção de medidas preventivas.
Por que bovinos morrem de frio
Embora bovinos sejam animais resistentes, a tolerância ao frio depende de fatores como idade, raça, condição corporal, estado nutricional, umidade, vento, tempo de exposição e acesso a proteção.
O frio seco costuma ser menos perigoso do que a combinação de frio, chuva e vento. Quando o pelo fica molhado, ele perde parte da função isolante. Com vento constante, a perda de calor aumenta. Se o animal não consegue se aquecer, se alimentar adequadamente ou se proteger, o risco de hipotermia cresce rapidamente.
A situação é ainda mais crítica para bezerros, animais doentes, vacas recém-paridas, bovinos muito magros e rebanhos mantidos em áreas descampadas.
Orientações para produtores rurais
Acompanhar alertas meteorológicos antes da chegada de frentes frias
Garantir áreas de abrigo, como matas, quebra-ventos, galpões ou piquetes protegidos
Evitar deixar animais debilitados em áreas abertas durante chuva e vento forte
Reforçar alimentação e água limpa, pois o gasto energético aumenta no frio
Proteger bezerros, vacas recém-paridas e animais magros
Reduzir deslocamentos e manejos estressantes durante frio intenso
Comunicar mortes ou suspeitas sanitárias aos órgãos de defesa agropecuária
Buscar orientação veterinária em caso de apatia, tremores, queda de temperatura corporal ou dificuldade de locomoção
Serviço ao leitor
Produtores que identificarem morte de animais em sequência, sinais de hipotermia ou suspeita de enfermidade devem acionar assistência veterinária e comunicar o órgão estadual de defesa agropecuária. Em Mato Grosso do Sul, a referência é a Iagro. Em São Paulo, casos sanitários e ocorrências em rebanhos devem ser comunicados aos canais oficiais da Defesa Agropecuária do Estado.
A comunicação rápida é importante para diferenciar morte por evento climático de doenças infecciosas, intoxicações, falhas alimentares ou outros problemas de manejo.
A morte de bovinos por frio evidencia como eventos climáticos extremos já interferem diretamente na produção rural. O impacto não se limita ao prejuízo financeiro imediato. A perda de animais afeta planejamento de fazendas, reprodução, reposição de rebanho, contratos de fornecimento e bem-estar animal.
A prevenção exige infraestrutura adequada, planejamento de pastagens, análise de previsão do tempo e resposta rápida antes da queda brusca de temperatura. Em regiões onde frentes frias intensas se repetem, abrigo não deve ser visto como medida emergencial, mas como parte permanente do manejo.
A morte de mais de 80 bovinos em Mato Grosso do Sul mostra que frio extremo, chuva, vento e ausência de abrigo formam uma combinação de alto risco para rebanhos. A hipotermia pode matar rapidamente quando o animal permanece exposto sem proteção. Para produtores de São Paulo e de outros estados, o caso serve como alerta: acompanhar previsões, proteger animais vulneráveis e preparar áreas de abrigo são medidas essenciais para reduzir perdas e preservar o bem-estar do rebanho.
Vinicius Mororó – Jornalista Atípico
Editor-Executivo-Regional
HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo
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