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Pesquisa Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro na liderança e candidatos do PSD com baixa intenção de voto

Levantamento testa diferentes cenários para 2026 e indica dificuldade de nomes do PSD em se firmar na disputa

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7) indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lideram os cenários testados para a eleição presidencial. Já os nomes ligados ao PSD, partido presidido por Gilberto Kassab, aparecem com baixa intenção de voto nas simulações de primeiro turno.

O levantamento apresentou diferentes cenários aos entrevistados, alternando três possíveis candidatos ligados ao PSD:

  • Ratinho Júnior, governador do Paraná
  • Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul
  • Ronaldo Caiado, governador de Goiás

Em todos os cenários, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem nas primeiras posições.

Cenário com Ratinho Júnior

Na simulação em que Ratinho Júnior aparece como candidato, os números são:

  • Lula (PT): 38%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 32%
  • Ratinho Jr. (PSD): 7%
  • Romeu Zema (Novo): 4%
  • Renan Santos (Missão): 3%
  • Aldo Rebelo (DC): 2%

Também foram registrados:

  • Branco/nulo/nenhum: 11%
  • Não sabem: 3%

Ratinho é o nome do PSD que aparece com maior percentual entre os três testados.

Cenário com Eduardo Leite

Na simulação em que o candidato é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, os números são:

  • Lula (PT): 39%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 34%
  • Eduardo Leite (PSD): 3%
  • Romeu Zema (Novo): 4%
  • Renan Santos (Missão): 3%
  • Aldo Rebelo (DC): 2%

Neste cenário:

  • Branco/nulo/nenhum: 12%
  • Não sabem: 3%

Leite afirmou recentemente estar preparado para liderar um projeto de “despolarização” política.

Cenário com Ronaldo Caiado

Na simulação que inclui o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o resultado é:

  • Lula (PT): 39%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 33%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 4%
  • Romeu Zema (Novo): 5%
  • Renan Santos (Missão): 3%
  • Aldo Rebelo (DC): 2%

Também aparecem:

  • Branco/nulo/nenhum: 12%
  • Não sabem: 3%

Apesar de ter sido anunciado como filiado ao PSD, Caiado ainda não formalizou a mudança de partido.

Estratégia do PSD

O PSD, presidido por Gilberto Kassab, trabalha com a possibilidade de apresentar um candidato à Presidência em 2026.

A estratégia mencionada por dirigentes do partido é avaliar o desempenho de diferentes nomes nas pesquisas antes de definir quem representará a legenda.

O governador Ratinho Júnior afirmou recentemente que a decisão sobre o candidato do partido deve ocorrer até o início de abril.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros.

As entrevistas foram realizadas entre os dias 3 e 5 de março.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03715/2026.

Manifestação das partes

O espaço permanece aberto para manifestação do PSD, de Gilberto Kassab e dos demais candidatos citados na pesquisa.

Caso haja posicionamento oficial, o conteúdo poderá ser atualizado.

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Mercado de Cosméticos estima atingir US$526,74 bilhões em 2033

O universo global da beleza entra na próxima década embalado por números que confirmam algo que, nas prateleiras e nas redes sociais, já é visível há algum tempo: longe de ser um mercado saturado, o setor de cosméticos ainda tem muito espaço para crescer. Um relatório recente da ResearchAndMarkets projeta que a indústria mundial de cosméticos deverá alcançar a marca de 526,74 bilhões de dólares até 2033, saltando de um patamar estimado em 346,1 bilhões em 2025 e sustentando uma taxa média de expansão anual em torno de 5,3% ao longo desse período.

Essas cifras situam o segmento de cosméticos como um dos pilares do vasto escopo de “beauty & personal care”, que inclui higiene pessoal, cuidados com a pele, cabelos e fragrâncias. Em diversas leituras de mercado, a categoria de cosméticos, no sentido mais estrito, voltada a produtos de maquiagem, embelezamento e itens adjacentes, responde por fatia significativa das receitas globais, em um ecossistema que, considerando beleza e cuidado pessoal como um todo, já supera os 600 bilhões de dólares e caminha para se aproximar da casa dos 700 bilhões na próxima década.

O impulso por trás da projeção de 526,74 bilhões de dólares repousa em um conjunto de tendências estruturais. A primeira delas é o adensamento da cultura de autocuidado. Relatórios de consultorias como Grand View Research, IMARC e Fortune Business Insights convergem ao apontar que beleza e bem‑estar deixaram de ser vistos como indulgência ocasional para se tornarem parte de rotinas diárias, em especial entre consumidores urbanos, conectados e expostos a padrões estéticos globais. A maquiagem deixa de ser apenas artifício pontual e passa a integrar rotinas híbridas, que misturam skincare e cobertura, enquanto produtos multifuncionais, hidratantes com cor, bases com ativos de tratamento, protetores solares com acabamento cosmético, ganham protagonismo.

Outro vetor decisivo é a explosão da demanda por cosméticos veganos, “clean” e sustentáveis. O relatório da ResearchAndMarkets destaca, entre os motores de crescimento até 2033, a crescente procura por produtos livres de ingredientes de origem animal e por formulações de rótulo curto, com listas de componentes mais transparentes e pegada ambiental reduzida. Estudos setoriais mostram que, sobretudo entre jovens das gerações Z e millennial, critérios éticos e ambientais passaram a pesar tanto quanto desempenho e preço na escolha de um batom, um blush ou uma máscara para cílios. Isso tem levado gigantes da indústria a reformular linhas clássicas, certificá‑las junto a entidades internacionais e investir em embalagens recicláveis, refis e cadeias produtivas com menor impacto.globenewswire+6

A digitalização do consumo aparece, igualmente, como fator determinante. A expansão do comércio eletrônico e de modelos híbridos, do social commerce às vendas via influenciadores, amplia o alcance de marcas globais e abre espaço para que pequenos players de nicho conquistem audiências transnacionais. Ferramentas de realidade aumentada, que permitem testar virtualmente tons de batom ou de base, além de sistemas de recomendação customizada por meio de inteligência artificial, alimentam a experimentação e reduzem a barreira de entrada para novas compras, impulsionando o volume de transações.

Do ponto de vista geográfico, o crescimento projetado não é homogêneo. A Ásia‑Pacífico desponta, em praticamente todos os relatórios, como o maior mercado em receita e um dos mais dinâmicos em taxa de expansão, amparado por uma classe média em rápida ascensão em países como China, Índia e Indonésia, e por culturas em que o cuidado com a pele e a aparência tem longa tradição. A Renub Research e a ResearchAndMarkets apontam que a região responderá por parcela expressiva do incremento de quase 180 bilhões de dólares previsto para o mercado global de cosméticos entre 2025 e 2033.

A América do Norte e a Europa, embora partam de bases já maduras, seguem relevantes, com taxas de crescimento anual mais moderadas, entre 4% e 6%, sustentadas pela combinação de inovação tecnológica, segmentação sofisticada e uma forte cultura de consumo premium. Nestes mercados, a tendência é de avanço de marcas posicionadas como científicas, apoiadas em pesquisa dermatológica, e de linhas que cruzam a fronteira entre cosmético e produto de tratamento, ao mesmo tempo em que se intensifica a demanda por diversidade de tons e por representatividade de diferentes perfis de pele nas campanhas.

Um traço interessante captado pelos analistas é a pulverização do protagonismo. Se, por décadas, o setor foi dominado por alguns conglomerados globais, hoje o cenário se mostra mais fragmentado: grandes grupos continuam a responder por fatias robustas de mercado, mas convivem com uma constelação de marcas independentes que crescem acima da média ao focar nichos específicos, como cosméticos orgânicos, linhas afro, produtos gender‑neutral ou coleções desenvolvidas em colaboração com influenciadores. Frequentemente, essas marcas se tornam alvos de aquisição ou parceria pelos gigantes tradicionais, em um movimento que realimenta o ciclo de inovação.

Do lado dos riscos, os relatórios também apontam desafios. A própria ResearchAndMarkets, ao projetar o salto para 526,74 bilhões de dólares até 2033, menciona que o ritmo de crescimento está condicionado à capacidade da indústria de responder a pressões regulatórias mais rígidas em relação a ingredientes, testes em animais e rotulagem, especialmente na União Europeia e em alguns estados norte‑americanos. Questões ligadas à rastreabilidade de cadeias produtivas, à segurança de novos ativos e à comunicação responsável em torno de promessas de desempenho tendem a exigir investimentos adicionais em pesquisa, compliance e diálogo com autoridades sanitárias.

A macroeconomia também entra na equação. Em um cenário de oscilações cambiais, inflação de insumos e eventuais ciclos de aperto monetário, há sempre o risco de que consumidores migrem temporariamente para opções mais acessíveis ou reduzam a frequência de compra de itens considerados supérfluos. Ainda assim, análises da McKinsey e de outras consultorias sugerem que a categoria de beleza costuma demonstrar resiliência relativa, com consumidores dispostos a manter, mesmo em contextos de aperto, pequenos “luxos acessíveis”, como um batom, um esmalte ou um perfume de tamanho reduzido.

Em termos de portfólio, a expectativa é de que algumas subcategorias puxem o avanço até 2033. Pesquisas recentes indicam que o segmento de cuidados com a pele tende a seguir como o maior em receita, frequentemente respondendo por mais de 40% do faturamento total de beleza em mercados desenvolvidos, impulsionado pela busca por soluções anti‑idade, proteção solar avançada e rotinas de skincare múltiplas. Os cosméticos decorativos, foco específico das projeções de 526,74 bilhões de dólares, devem se beneficiar desse movimento ao se hibridizar com o skincare, oferecendo, por exemplo, bases com proteção UVA/UVB, primers com ativos antioxidantes e produtos de acabamento que prometem benefícios acumulativos para a pele.

No horizonte de 2033, portanto, a indústria global de cosméticos se vê diante de um cenário de expansão consistente, mas exigente. A cifra de 526,74 bilhões de dólares não é apenas um número impressionante em planilhas de analistas; ela condensa uma transformação cultural em curso, em que beleza, saúde, identidade e tecnologia se entrelaçam no comportamento de consumo de bilhões de pessoas. Para marcas e investidores, o recado é claro: crescer nesse ambiente significará, cada vez mais, entender nuances locais, responder a demandas éticas e ambientais e inovar em um ritmo compatível com a velocidade com que tendências nascem e se esgotam na economia da atenção.

Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
HostingPRESS – Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.

Grupo Pão de Açúcar aponta ‘incerteza relevante’ sobre continuidade

O balanço financeiro de 2025 do Grupo Pão de Açúcar, dono de bandeiras tradicionais como Pão de Açúcar e Extra, trouxe à tona um alerta que, em linguagem contábil, soa técnico, mas que, traduzido, é inequívoco: há “incerteza relevante” quanto à capacidade de a companhia manter sua continuidade operacional nos moldes atuais. A expressão, inserida nas notas explicativas do resultado anual e reforçada em parecer da auditoria independente, não é um mero detalhe de rodapé. Ela significa, em termos práticos, que o conjunto das informações financeiras analisadas coloca em dúvida se o grupo, tal como hoje estruturado, conseguirá honrar compromissos e seguir operando normalmente sem mudanças significativas em sua estrutura de dívida, liquidez e custos.

O ponto de partida desse alerta está na situação de liquidez ao fim de 2025. Segundo as demonstrações financeiras, o GPA encerrou o ano com capital circulante líquido negativo de aproximadamente R$ 1,22 bilhão. Em termos simples, isso significa que os passivos de curto prazo – contas a pagar, empréstimos, debêntures e outras obrigações vencendo em até 12 meses – superam os ativos realizáveis no mesmo período, como caixa, estoques e valores a receber. Essa fotografia se torna ainda mais preocupante quando se observa a concentração de dívidas: somente em 2026, a companhia terá de enfrentar o vencimento de cerca de R$ 1,7 bilhão em empréstimos e debêntures, montante que, à luz do caixa atual e da geração de recursos, não pode ser quitado sem renegociação, novos financiamentos ou venda de ativos.

A Deloitte, responsável pela auditoria das demonstrações, foi explícita ao fundamentar a ressalva. Em seu parecer, a firma destaca que, “apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período”, e que as condições descritas “indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”. Em linguagem técnica, trata‑se de um alerta de going concern, expressão usada internacionalmente quando há dúvidas sobre a capacidade de uma empresa seguir em operação pelos próximos 12 meses sem reestruturações profundas.

Os números ajudam a entender a tensão entre melhora operacional e fragilidade financeira. No quarto trimestre de 2025, o GPA registrou prejuízo líquido de R$ 572 milhões nas operações continuadas, resultado pior que o esperado pelo mercado, embora menor que o prejuízo de R$ 737 milhões do mesmo período de 2024. No acumulado do ano, a perda foi de R$ 651 milhões, o que representa uma redução de cerca de 61% em relação ao exercício anterior, indicando um processo de ajuste em curso. Pelo fluxo de caixa, a fotografia é menos sombria: a geração operacional foi positiva, em torno de R$ 669 milhões ao longo de 2025, mais que o dobro do registrado em 2024, reflexo de ganhos de eficiência e melhoria de margens.

O problema é que esse fôlego operacional está sendo praticamente engolido pelo custo da dívida. As despesas financeiras líquidas alcançaram cerca de R$ 920 milhões em 2025, valor aproximadamente R$ 325 milhões superior ao do ano anterior, comprometendo o ganho obtido com a operação. Em termos de caixa, é como se a empresa conseguisse respirar melhor no dia a dia, mas estivesse correndo de encontro a uma parede de juros e amortizações no curto prazo. Não por acaso, casas de análise como a XP Investimentos observaram que o grande gargalo do grupo, hoje, não é mais a incapacidade de gerar caixa antes dos juros, mas a dificuldade de manter resultado positivo depois de pagar o custo financeiro de um endividamento elevado e concentrado.

Diante desse quadro, a administração do GPA procurou, no próprio balanço, sinalizar um plano de ação. Em comunicado aos investidores, a companhia afirma estar adotando um “conjunto de iniciativas” que incluem negociações para alongar prazos de dívidas financeiras, reduzir o custo médio dessa dívida, cortar despesas e monetizar créditos tributários acumulados. Entre as medidas já anunciadas em trimestres anteriores, estão um plano de eficiência para 2026, que prevê reduzir investimentos – o capex anual deve cair de cerca de R$ 693 milhões para algo entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões – e cortar pelo menos R$ 415 milhões em despesas, com eliminação de gastos com pessoal, suporte à operação de lojas e estrutura administrativa.

A companhia também menciona um programa de venda de ativos não estratégicos, com a expectativa de usar os recursos para abater parte da dívida bruta, bem como a possibilidade de renegociar contingências fiscais que somam até R$ 15 bilhões, aproveitando créditos tributários de cerca de R$ 2,4 bilhões, dos quais R$ 374 milhões já teriam sido usados em acordos com o governo federal nos últimos 12 meses. No entanto, o próprio texto das demonstrações financeiras adota tom de cautela ao admitir que, até o momento, não há contratos firmados que garantam a execução dessas medidas, nem acordos formalizados para a venda de créditos ou reestruturação dos passivos. Além disso, a empresa reconhece que os termos de eventuais negociações não dependem apenas dela, mas também da disposição de credores e das condições de mercado, o que adiciona um componente de incerteza ao plano.

O alerta sobre a continuidade operacional ocorre em um contexto de mercado desafiador para o varejo alimentar. No relatório, o GPA destaca que a dinâmica do setor em 2025 foi marcada por demanda enfraquecida e inflação de alimentos mais contida em diversas categorias, o que limita a capacidade de repasse de preços e pressiona as vendas em mesmas lojas. A empresa vem passando por um processo de simplificação de estrutura e descontinuidade de planos de expansão, com fechamento de unidades menos rentáveis e revisão de sortimento, o que inclui, inclusive, a demissão de cerca de 700 funcionários na segunda etapa de reorganização administrativa concluída no terceiro trimestre de 2025.

Para investidores, o fato de o risco de continuidade ter saído do campo implícito e passado a constar formalmente das notas explicativas é um divisor de águas. Relatórios de análise ressaltam que a inclusão de um parágrafo específico sobre going concern sinaliza que a própria empresa e sua auditoria reconhecem que o equilíbrio financeiro futuro depende de variáveis ainda não controladas, como o sucesso de renegociações de dívida e o ritmo de recuperação da margem operacional. Em termos de governança, essa transparência é vista como positiva; em termos de percepção de risco, contudo, tende a aumentar a cautela de credores e investidores, com reflexos sobre custo de financiamento e comportamento das ações em bolsa.

No plano mais amplo, o caso do Grupo Pão de Açúcar ilustra o desafio de grandes redes varejistas em um ambiente de juros altos, consumo moderado e competição intensa. A empresa conseguiu, ao longo de 2025, mostrar avanços em eficiência interna e redução de prejuízos, mas ainda não resolveu o ponto nevrálgico de sua equação: a relação entre geração de caixa e peso da dívida no curto prazo. A “incerteza relevante” registrada no balanço é, nesse sentido, menos uma sentença e mais um aviso: sem reestruturações bem‑sucedidas e sem uma melhora consistente do ambiente de negócios, o esforço para manter de pé uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro seguirá sob tensão.

Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
HostingPRESS – Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.