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Mulher de 60 anos morre após ser arrastada por enxurrada e ficar presa sob carro no Mandaqui, Zona Norte de SP
Mulher de 60 anos morre após ser arrastada por enxurrada e ficar presa sob carro no Mandaqui, Zona Norte de SP


Alice Ferreira Conceição foi socorrida com parada cardiorrespiratória, mas não resistiu após alagamento na Rua Larival Gea Sanches
Uma mulher de 60 anos morreu na tarde de segunda-feira (16) após ser arrastada pela enxurrada durante forte chuva no bairro do Mandaqui, na Zona Norte de São Paulo.
A vítima, identificada como Alice Ferreira Conceição, caminhava pela Rua Larival Gea Sanches quando foi levada pela correnteza e ficou presa sob um carro estacionado durante o alagamento.
De acordo com informações apuradas no local, após o nível da água baixar, Alice foi encontrada desacordada debaixo do veículo.
Atendimento e morte
Ela foi socorrida em parada cardiorrespiratória e encaminhada ao Hospital do Mandaqui. Apesar do atendimento médico, não resistiu.
Alice era costureira e, segundo relatos de familiares, havia saído de casa a pé para visitar a irmã quando foi surpreendida pela enxurrada.
Região registra alagamentos frequentes
Moradores afirmam que a área costuma registrar enchentes em dias de chuva intensa.
Com a morte de Alice, sobe para 15 o número de pessoas que perderam a vida no estado de São Paulo neste ano em decorrência das chuvas, segundo balanço divulgado pelas autoridades estaduais.
A Defesa Civil orienta que, em casos de chuva forte, pedestres evitem atravessar vias alagadas e procurem abrigo em locais seguros.
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Vazamento de nitrato de amônia interdita Avenida dos Bandeirantes e bloqueio é liberado na Zona Sul de São Paulo
Vazamento de nitrato de amônia interdita Avenida dos Bandeirantes e bloqueio é liberado na Zona Sul de São Paulo


Pista expressa no sentido Marginal Pinheiros ficou fechada após acidente com dois caminhões; Cetesb afirma que não houve dano ambiental
A Avenida dos Bandeirantes teve o trânsito liberado por volta das 9h desta terça-feira (17), após interdição total da pista expressa no sentido da Marginal Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo. O bloqueio ocorreu a cerca de 50 metros da Avenida Santo Amaro para a retirada de produto químico que caiu na via após um acidente envolvendo dois caminhões durante a madrugada.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a ocorrência foi registrada por volta das 3h30. Um dos veículos transportava nitrato de amônia em flocos e houve vazamento do material sobre o asfalto.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) monitorou a região e orientou motoristas a evitarem o trecho. O desvio foi realizado por meio de faixa reversível montada no sentido Rodovia dos Imigrantes, entre a Alameda dos Maracatins e o Viaduto Santo Amaro.
Produto ficou retido na pista
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que foi acionada ainda na madrugada para acompanhar a ocorrência.
Segundo o órgão, por se tratar de material sólido, o nitrato de amônia permaneceu sobre o asfalto, sem atingir galerias pluviais ou corpos d’água. Não houve registro de dano ambiental.
A carga foi recolhida pela transportadora responsável, sob acompanhamento técnico da Cetesb. O órgão ambiental informou que adotará as medidas administrativas cabíveis após a conclusão do atendimento.
Não há informações sobre feridos até o momento.
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Bloco do Bob estreia no Carnaval de SP com reggae no Ibirapuera e tributo a Bob Marley
Bloco do Bob estreia no Carnaval de SP com reggae no Ibirapuera e tributo a Bob Marley


Novidade da banda Marley Night desfila em 21 de fevereiro, na zona sul da capital, com participação de Dada Yute e Maxado
O Carnaval de São Paulo ganha um novo bloco em 2026. No próximo dia 21 de fevereiro, a região do Ibirapuera, na zona sul da capital, recebe a estreia do Bloco do Bob, idealizado pela banda Marley Night, em homenagem ao legado musical de Bob Marley.
A concentração será na Avenida Pedro Álvares Cabral, na altura do Obelisco, a partir das 12h. O desfile está previsto para ocorrer das 13h às 15h, com trajeto até o Monumento às Bandeiras, onde acontece a dispersão.
A proposta do bloco é unir a energia do Carnaval paulistano às mensagens de paz, resistência e positividade que marcaram a trajetória do ícone jamaicano. No repertório, versões carnavalescas de clássicos como Three Little Birds, One Love e Could You Be Loved prometem embalar os foliões.
Participações especiais e estreia no pós-Carnaval
Para a estreia, o bloco contará com participações especiais de Dada Yute, nome consolidado do reggae nacional, e Maxado, ex-integrante das bandas Firebug e Peixoto & Maxado.
Criado pela banda Marley Night formada em 2018 e reconhecida como uma das principais homenagens a Bob Marley no Brasil o projeto nasce após anos de apresentações dedicadas à obra do cantor. O grupo já dividiu palco com Junior Marvin, guitarrista do The Wailers, além de ter participado de shows ao lado de Gilberto Gil e de festivais nacionais.
O desfile do Bloco do Bob acontece antes do tradicional cortejo do Navio Pirata, da banda BaianaSystem, no circuito do Ibirapuera.
Serviço
Bloco do Bob / Marley Night
Local: Avenida Pedro Álvares Cabral (entre o Obelisco e o Monumento às Bandeiras) Ibirapuera, zona sul
Data: 21 de fevereiro (sábado pós-Carnaval)
Concentração: 12h
Desfile: 13h às 15h
Dispersão: 15h
A organização é do Coletivo Pipoca, grupo responsável por grandes projetos de Carnaval em diversas capitais brasileiras.
Mais do que um desfile, o Bloco do Bob surge como um convite para celebrar diversidade, música e boas vibrações em plena rua com o reggae como trilha sonora da folia paulistana.
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Policiais fantasiados prendem suspeitos em blocos na Zona Sul e no Centro de SP durante Carnaval
Agentes disfarçados de Scooby-Doo e Turma do Chaves atuam na Operação Carnaval e recuperam mais…
Inclusão ganha espaço no Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte de SP, e transforma Carnaval em experiência acessível para todos
Inclusão ganha espaço no Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte de SP, e transforma Carnaval em experiência acessível para todos


Amigos surdos, irmãos cegos e menino autista vivem a emoção dos desfiles em área adaptada com Libras, audiodescrição e estrutura especializada
A vibração da bateria atravessa o chão do Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte de São Paulo, e transforma o Carnaval em uma experiência que vai além do som e da imagem. Na área inclusiva montada pela Prefeitura dentro do camarote oficial, histórias de amizade, família e pertencimento mostraram que a festa também é feita para todos.
Durante visita ao espaço neste sábado (15), foi possível acompanhar de perto como recursos de acessibilidade têm ampliado a participação de pessoas com deficiência nos desfiles das escolas de samba.
Logo na entrada, cinco amigos surdos chamavam atenção pela animação. Eles estudaram juntos na capital paulista e decidiram viver o desfile lado a lado, sentindo a vibração da bateria e acompanhando cada detalhe com apoio de intérprete de Libras.
“A acessibilidade aqui está muito fácil. Tem intérprete. Sem comunicação é muito ruim. É nossa primeira vez e estamos emocionados”, disseram Luiz Roberto Pires Amaral, auxiliar administrativo, e Natália Maria Moura, analista bancária.
Mesmo sem ouvir o samba, o grupo afirma que sente o ritmo no corpo. “A gente sente como todo mundo. Sente a energia”, resumiu o ator surdo Léo Castilho, que também acompanhava o desfile no espaço adaptado.
Autismo e pertencimento na avenida
Poucos metros adiante, o pequeno Rio Sora, de 8 anos, acompanhava atento cada alegoria ao lado da mãe, Luciana Campos. Autista e apaixonado por grafite, São Paulo e Carnaval, ele conheceu a festa pela televisão antes de viver a experiência presencialmente.
“No ano passado trouxemos abafador, mas ele tirou porque gosta do som da bateria. Ficou até 4h30”, contou a mãe.
Para ela, o espaço inclusivo é essencial. “Não é porque você tem uma deficiência que não curte. Isso aqui é uma festa maravilhosa.”
Audiodescrição permite ‘enxergar’ o desfile
O espaço também atende pessoas cegas e com deficiência visual por meio da audiodescrição recurso que transforma imagens, cores, fantasias e movimentos em palavras.
“A audiodescrição é maravilhosa. A gente consegue entender tudo o que está acontecendo. Eu recebo a emoção”, afirmou Maria Roseli.
Roselene de Souza Celoto, que desfila há 16 anos pela Rosas de Ouro, explicou como o recurso funciona na prática: “Quando descrevem a alegoria, a gente imagina na mente. Muitos de nós já tivemos visão e temos memória das cores.”
Quem conduz essa ponte entre imagem e palavra é a audiodescritora Vanessa Aparecida Campos, de 31 anos. “Descrevemos fantasias, cores, detalhes. Eles fazem questão de saber tudo. É emocionante.”
Como funciona a área inclusiva no Carnaval de SP
As ações fazem parte das iniciativas da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED). Entre os recursos oferecidos estão:
- Intérpretes de Libras no camarote acessível
- Projeto “Samba com as Mãos”, que traduz sambas-enredo para Libras
- Audiodescrição ao vivo, transmitida pelo YouTube da SMPED
- Aplicativo CIL-SMPED, que permite acionamento de serviços de emergência por videochamada com intérprete, sem consumo de dados móveis
A estrutura garante não apenas acessibilidade física, mas também comunicacional um avanço destacado pelos próprios participantes.
Na avenida, a inclusão se traduz em pertencimento. Entre vibrações sentidas no corpo, palavras sinalizadas e imagens descritas, o Carnaval de São Paulo mostra que a festa só é completa quando todos podem participar.
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Galo da Madrugada: ícone do Carnaval de Recife que ecoa por todo o Brasil


O Galo da Madrugada, ícone perene do carnaval recifense, desfilou mais uma vez pelas artérias centrais do Recife, arrastando uma multidão que transcende números para se afirmar como manifestação viva da alma pernambucana. Considerado o maior bloco de carnaval do mundo pelo Guinness World Records desde 1994, o Galo completou, em 2026, quase cinco décadas de existência, desde sua gênese humilde em 1978, quando Enéas Freire reuniu setenta e cinco amigos fantasiados de almas penadas para reviver o carnaval de rua no bairro de São José. Sob o sol escaldante da manhã de sábado de Zé Pereira, o arrastão de seis quilômetros e meio pulsou com trinta trios elétricos, seis carros alegóricos e um elenco de artistas que honraram a tradição com vigor renovado, atraindo público recorde estimado em mais de dois milhões de foliões.
A saída pontual às nove horas, do Forte das Cinco Pontas, marcou o despertar oficial da folia em Pernambuco. O percurso, que serpenteia pela Rua Imperial, Avenida Sul, Praça Sérgio Loreto, Avenida Dantas Barreto, Avenida Guararapes e Rua do Sol, transformou o centro histórico em um oceano de cores e sons, onde o frevo, ritmo patrimônio imaterial da humanidade, ditava o compasso da celebração. O tema deste ano, Frevo no Planeta Galo, elevou a festa a uma dimensão cósmica, projetando o passo brasileiro para além dos confins terrestres, em uma metáfora que une tradição local à universalidade da alegria. Esculturas gigantes, como o Galo de trinta e dois metros erguido com materiais reciclados pelos artistas Leopoldo Nóbrega e Germana Xavier, erguiam-se como sentinelas da memória cultural, homenageando figuras como Dom Helder Câmara e Nise da Silveira, ícones de resistência e humanidade.
Desde sua primeira madrugada, em quatro de fevereiro de 1978, quando uma banda de vinte e dois músicos ecoou pelas ruas estreitas de São José e Santo Antônio, o Galo da Madrugada evoluiu de um clube de máscaras familiar para fenômeno global. Enéas Freire, visionário que buscava resgatar o carnaval nostálgico de rua, plantou a semente de um movimento que, ano após ano, multiplicou-se em proporções épicas. Nos anos iniciais, o bloco era poeira e serpentinas, passos atrás e orquestras ambulantes; hoje, é um colosso logístico com mais de mil e duzentos artistas simultâneos, duração de nove horas e infraestrutura que inclui linhas de transporte especial da CTTU, como a Circular do Galo, para democratizar o acesso. Essa atração de décadas reside na capacidade de o Galo ser, simultaneamente, raiz e expansão: um estado de espírito, como bem definiu uma foliã servidora pública, onde o Recife inteiro se dissolve em ritmo coletivo.
As atrações musicais deste ano compuseram um mosaico de gerações e estilos, fiel à essência eclética do bloco. Elba Ramalho abriu, com seu drive potente, evocando o Nordeste profundo; Priscila Senna e Chico César trouxeram frescor contemporâneo, enquanto Raphaela Santos e Silva infundiram alma soul à massa dançante. Nomes consagrados do frevo pernambucano, como Almir Rouche, André Rio, Nena Queiroga, Geraldinho Lins, Gustavo Travassos, Nonô Germano e Michelle Melo, alternavam-se nos trios com maestros Spok e Forró, garantindo que o passo clássico não se perdesse no frenesi moderno. A multidão, heterogênea em idades e origens, de recifenses natos a visitantes de Afogados da Ingazeira, distantes trezentos e oitenta e seis quilômetros, pulsava uníssona, com embarcações no Capibaribe convertidas em camarotes flutuantes e o ar carregado de emoção palpável. Gestores financeiros e foliões anônimos ecoavam o mesmo sentimento: a grandeza da cultura local, gigante e linda, que o Galo preserva e amplifica.
Quarenta e oito anos de reinado não se sustentam apenas em números impressionantes, dois milhões e quinhentos mil foliões em edições recentes, segundo estimativas, mas na resiliência simbólica do Galo como desperta-dor da cidade. Antes da abertura do comércio, quando o sol ainda tímido ilumina as fachadas coloniais, o bloco irrompe como um manifesto de vitalidade popular. Críticos nostálgicos, como foliões de duas décadas, apontam para uma certa comercialização, ansiando pelo retorno às raízes poeirentas; no entanto, o Galo equilibra tradição e inovação, homenageando Alceu Valença e Lenine em edições passadas, celebrando os cento e vinte anos do frevo e integrando vozes emergentes como Clara Sobral, que substituiu Marron Brasileiro em uma guinada de última hora. Essa atração duradoura explica-se pela capacidade de o bloco ser espelho da identidade pernambucana: um frevo que gira, gira e não para, misturando o sagrado e o profano, o passado e o porvir.
Enquanto o arrastão se desenrolava, o Recife revelava sua vocação carnavalesca em camadas. Famílias inteiras, casais entrelaçados, grupos de amigos separados por barreiras sociais mas unidos pelo passo, compunham o tecido humano do desfile. O Galo não é mero evento; é liturgia urbana, onde o suor se confunde com serpentinas e o cansaço vira êxtase. Na Ponte Duarte Coelho, onde o Galo sobe às dezoito horas para permanecer até o domingo seguinte, a festa se prolonga, garantindo que o espírito da madrugada irradie por dias. A logística impecável, shoppings como pontos de partida para ônibus especiais, democratiza a alegria, permitindo que o sonho do maior bloco do mundo alcance os confins da região metropolitana.
Ao entardecer, quando o último trio se dissipava na Rua do Sol, restava no ar o eco de uma tradição que resiste ao tempo. O Galo da Madrugada, com suas décadas de brilho, reafirma que o carnaval recifense não é efemeridade passageira, mas fluxo perene de criação coletiva. Ele atrai não por escala apenas, mas por ser o pulsar de um povo que, em cada giro do frevo, reinventa sua história. No coração do Recife, o Galo canta, e o Brasil inteiro ouve: o carnaval é, acima de tudo, a vitória da vida sobre a rotina.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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Presidente da União Imperial revela bastidores do 11º título no Carnaval de Santos, no ano do cinquentenário
Presidente da União Imperial revela bastidores do 11º título no Carnaval de Santos, no ano do cinquentenário


Após quatro vice-campeonatos consecutivos, a União Imperial voltou ao topo do Carnaval de Santos. A conquista do 11º título da agremiação do bairro Marapé teve um peso simbólico adicional: ocorreu justamente no ano em que a escola celebra 50 anos de fundação.
Em entrevista, o presidente Luiz Alberto Martins, conhecido como Pelé, de 62 anos, detalhou os bastidores da preparação para o desfile que levou à Passarela do Samba Dráuzio da Cruz o enredo “Consagração em Orixá: Renascer em União é a Chave da Vida”.
Primeira escola a desfilar pelo Grupo Especial em 2026, posição tradicionalmente vista como desafiadora, a União Imperial apostou em espiritualidade, organização e impacto visual com destaque para o carro abre-alas além da presença de musas como Viviane Araújo e Sheila Mello.
Tradição construída na união
Fundada em 1976, a escola surgiu após o bairro Marapé ficar sem blocos carnavalescos. Moradores que frequentavam as agremiações Brasil e Império do Samba participaram de um desfile na Vila Mathias, o que reacendeu o desejo de criar um reduto próprio.
O nome União Imperial simboliza justamente a junção das comunidades do Marapé e da Vila Mathias, além da ligação histórica com o Império do Samba.
Pelé passou a integrar a administração da escola em 2006, como tesoureiro, e está há sete anos na presidência. Segundo ele, apesar da rivalidade natural da avenida, a relação entre as escolas é de cooperação fora do desfile.
“A disputa é só na avenida. Fora dela, as escolas precisam caminhar juntas para melhorar estrutura e recursos. Somos coirmãs”, afirmou.
Regularidade e persistência
Apesar da sequência de vice-campeonatos recentes, o presidente afirma que não houve mudança estrutural significativa na postura da escola.
“A União foi campeã em 2018 e 2019. Nos últimos quatro anos poderia ter vencido também. Desta vez deu certo. Uma escola como a União sempre disputa o pódio”, avaliou.
A preparação começou em setembro, com cerca de 37 ensaios regulares, além de ensaios de rua e técnico na passarela. O foco esteve na disciplina dos componentes, atenção às regras e eliminação de detalhes que possam gerar perda de pontos.
“Carnaval é disputa. Não é só festa. Um relógio, um celular na avenida pode custar décimos decisivos”, ressaltou.
Enredo e espiritualidade
A escolha do enredo foi resultado de debates internos. A diretoria desejava marcar o cinquentenário, mas sem restringir o desfile apenas à retrospectiva histórica.
O carnavalesco, em conjunto com Lúcio Nunes, construiu uma narrativa que conectou ancestralidade, espiritualidade e trajetória da escola, resultando no conceito de renascimento e união.
Bastidores e desafios financeiros
Com aproximadamente 1,5 mil componentes na avenida, a logística envolve múltiplas frentes: figurinos, ferragens, marcenaria, iluminação, transporte e organização de alas.
O orçamento é um dos maiores desafios. A escola recebe R$ 232 mil de verba municipal, mas o custo total do desfile gira em torno de R$ 350 mil. A diferença é coberta com eventos na quadra, parcerias e contribuições de alas, como o grupo “Amigos da União”, que promove ações para custear fantasias e estrutura.
“O maior desafio das escolas é financeiro. Carnaval é caro e exige reinvenção constante”, destacou.
Presenças nacionais e visibilidade
Viviane Araújo e Sheila Mello, que já desfilaram pela agremiação, foram convidadas novamente neste ano. Além do impacto artístico, a presença das musas contribui para a arrecadação em eventos preparatórios e amplia a visibilidade do Carnaval santista.
“Elas engrandecem o desfile e levam o nome da União e do Carnaval de Santos para outros centros”, afirmou o presidente.
Emoção e responsabilidade
Para Pelé, o momento mais intenso ocorre da concentração até a dispersão.
“É tensão na entrada, atenção durante o desfile e emoção quando cruzamos a linha final sabendo que deu tudo certo.”
Presidir uma escola, segundo ele, exige habilidade para lidar com diferentes perfis e manter o grupo unido em torno de um único objetivo.
“No desfile, todos têm a mesma importância: da rainha ao integrante que empurra o carro alegórico.”
Um título histórico
A conquista no ano do cinquentenário foi classificada por Pelé em uma palavra: perseverança.
Além do troféu, ele aponta sonhos estruturais ainda não realizados, como a construção de um barracão próprio e melhorias na quadra.
“Ganhar no cinquentenário é histórico. Mas o trabalho continua. Escola de samba vive de superação.”
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Bloco protesta contra a falta de apoio da Prefeitura de SP


No epicentro da efervescência carnavalesca, onde as ruas da Consolação se transmutam em palco de resistências culturais, o Bloco Tarado Ni Você ergueu sua voz em um manifesto veemente contra a escassez de amparo institucional dispensado pela Prefeitura de São Paulo à folia de rua. Neste sábado, 14 de fevereiro de 2026, durante sua décima segunda edição consecutiva, o cortejo que homenageia Caetano Veloso com o tema Cinema transcendental desfilou pela icônica interseção da Avenida Ipiranga com a São João, no coração do Centro, mas não sem antes tecer um ato de protesto que ecoou as agruras de uma cena autônoma ameaçada pela precariedade financeira e pela priorização de megablocos patrocinados. Organizado por um coletivo de artistas independentes desde 2014, o Tarado Ni Você reuniu milhares de foliões em uma manifestação que mesclou samba, irreverência e crítica social, pendurando faixas com apelos como Respeitem os Blocos de São Paulo e exigindo políticas públicas que preservem a diversidade da festa momesca.
A insurgência ganhou contornos dramáticos após semanas de tensão, com organizadores como Rodrigo Guima, fundador do bloco, denunciando publicamente a redução de 29 por cento no orçamento municipal destinado ao Carnaval de Rua, que caiu de R$ 42,5 milhões em 2025 para R$ 30,2 milhões em 2026, apesar do recorde de 627 agremiações confirmadas. Apenas cem blocos foram contemplados pelo edital de fomento da Secretaria Municipal de Cultura, recebendo repasses irrisórios de até R$ 25 mil cada, quantia insuficiente para cobrir despesas que, no caso de eventos como o Tarado Ni Você ou o Pagu, ultrapassam R$ 250 mil, abrangendo som, alegorias, seguros e logística. A gestão do prefeito Ricardo Nunes, do MDB, argumenta oferecer infraestrutura integral, com 58 mil agentes de segurança, 13 mil de limpeza e operação integrada de trânsito, saúde e direitos humanos, mas transfere aos coletivos a onerosidade de captar patrocínios privados, uma tarefa hercúlea em tempos de recessão econômica e competição acirrada por marcas como Ambev e Amstel.
Essa queixa não é isolada, mas reverbera um descontentamento coletivo gestado desde o pré-Carnaval, quando blocos tradicionais como Baixo Augusta, Casa Comum, Exploração, Meu Bloco Explodiu, Bloco do Tatué, Esfarrapado e Charanga do França uniram-se em um protesto silencioso na própria Rua da Consolação, erguendo estandartes no Bar do Jão para alertar sobre o momento crítico vivido pela manifestação cultural. A nota conjunta dos agitadores enfatizava a disputa desigual pelo espaço urbano, o avanço predatório de megablocos hiperpatrocinados que monopolizam alvarás e visibilidade, e a ausência de diálogo com a administração municipal, que ignora o legado de uma folia que movimenta bilhões na economia local, gerando empregos temporários, turismo e vitalidade democrática. Para Rafaela Barcala, porta-voz do Tarado Ni Você, a prefeitura deveria prover o mínimo essencial, como policiamento ostensivo e limpeza eficiente, já que a festa impulsiona o PIB paulista sem contrapartidas proporcionais.
O histórico do bloco ilustra perfeitamente essa saga de precariedade e resiliência. Nascido em 2014 como tributo à obra de Caetano Veloso, o Tarado Ni Você consolidou-se como um dos pilares do Carnaval de rua, arrastando multidões com repertórios que fundem Tropicália a ritmos contemporâneos, sempre sob o signo da irreverência queer e feminista. Em 2023, enfrentou exclusão por inscrição tardia no cadastro municipal, forçando uma reunião de emergência para debater alternativas, mas emergiu vitorioso nos anos subsequentes graças a vaquinhas online e apoios pontuais. Nesta edição, a confirmação de patrocínio da Amstel, a três dias da folia, salvou o desfile de um colapso iminente, após paralisação da produção e cogitação de empréstimos bancários, mas o episódio escancarou as fragilidades do modelo híbrido de financiamento, dependente de editais capengas e captações exaustivas.
Críticos culturais, como aqueles vinculados à Universidade de São Paulo, interpretam o levante como sintoma de uma gentrificação carnavalesca, onde a essência comunitária e periférica da festa é sufocada pelo espetáculo corporativo. Enquanto megablocos como Acadêmicos do Baixada ou Gaviões da Fiel ostentam estruturas milionárias no Anhembi, blocos autônomos lutam por banheiros químicos, grades de contenção e som potente, agravados por problemas crônicos como superlotação, furtos de celulares e banheiros a céu aberto no Centro, conforme relatos do G1 durante os primeiros dias de folia. A Prefeitura rebate em notas oficiais, destacando a política de fomento iniciada em 2024 e a infraestrutura para o maior Carnaval do Brasil, mas organizadores contrapõem que o corte orçamentário reflete prioridades equivocadas, em uma cidade que viu o pré-Carnaval marcado por sujeira e caos logístico.
O protesto do Tarado Ni Você, portanto, transcende o lamento conjuntural para afirmar uma identidade política intrínseca ao bloco, que desde sua gênese incorpora dissidências contra o conservadorismo e a mercantilização cultural. Com fantasias evocando o cinema transcendental de Caetano, os foliões serpentearam pelas avenidas, entoando Tropicália e Sampa como hinos de resistência, enquanto faixas e performances teatrais ironizavam a privatização da folia. Especialistas em políticas culturais, como os do Observatório do Carnaval Paulista, preveem que ações como essa catalisem reformas, pressionando por um edital mais inclusivo e verbas fixas para blocos raiz, preservando a pluralidade que distingue São Paulo de Rio ou Salvador. Em meio a 15 milhões de participantes estimados, o gesto reafirma o Carnaval como arena de cidadania, onde o samba não apenas diverte, mas interpela o poder constituído.
Enquanto a noite avançava, com o Centro pulsante de batuques e confetes, o Tarado Ni Você dispersou-se sem incidentes, mas com a semente do inconformismo plantada. A gestão Nunes, pressionada por opositores no Legislativo municipal, pode rever posturas ante os balanços pós-folia, especialmente se dados econômicos confirmarem o impacto bilionário da festa. Para os fazedores de cultura, o recado é claro: o Carnaval de rua não é commodity negociável, mas patrimônio imaterial que demanda cultivo público. Assim, em 2026, sob o signo de Caetano, São Paulo dança entre a festa e a luta, garantindo que a voz dos pequenos blocos não seja engolida pelo tropel dos gigantes.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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Delegado afirma que academia usava, em um dia, carga de cloro recomendada para uma semana
Delegado afirma que academia usava, em um dia, carga de cloro recomendada para uma semana


A Polícia Civil afirmou que a academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, na Zona Leste da capital paulista, utilizava em apenas um dia a quantidade de cloro recomendada para uma semana em piscinas do mesmo porte.
A declaração foi feita pelo delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial, responsável pela investigação da morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. Ela passou mal após uma aula de natação no último sábado (7) e morreu horas depois. Outras seis pessoas também apresentaram sintomas de mal-estar, sendo que três precisaram ser internadas.
Segundo o delegado, a suspeita é de intoxicação por cloro, embora o laudo pericial ainda não tenha sido concluído. A academia foi interditada pela Prefeitura.
“A carga de cloro que eles usavam em um dia é usada em uma semana numa piscina desse tipo”, afirmou o delegado, sem detalhar a quantidade exata do produto.
Manipulação inadequada
A investigação aponta que o cloro teria sido manipulado por um funcionário sem qualificação técnica. Imagens de câmeras de segurança registraram fumaça branca saindo de um balde com a mistura utilizada na piscina instantes antes da aula. Outras gravações mostram alunos pedindo socorro.
Em depoimento, o manobrista Severino José da Silva afirmou que realizava a limpeza da piscina seguindo orientações enviadas por um dos sócios da academia via WhatsApp. Ele não foi indiciado.
Já os três sócios da C4 Gym Cezar Augusto Miguelof Terração e os irmãos Cesar Bertolo Cruz e Celso Bertolo Cruz foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. A Polícia Civil solicitou a prisão temporária dos empresários, com parecer favorável do Ministério Público. A decisão cabe agora à Justiça.
O delegado também afirmou que houve tentativa de interferência na investigação, incluindo o envio de outro funcionário para prestar depoimento no lugar do responsável pela manutenção da piscina e a tentativa de ocultar a existência de um segundo manobrista.
Defesa e posicionamentos
A defesa dos sócios declarou que os empresários estão colaborando com as investigações e criticou o indiciamento antes da conclusão dos laudos periciais.
A mãe de Juliana, Nívea Faustino Bassetto, relatou o sofrimento da família:
“Parece que eu tô vivendo um pesadelo. Eu gostaria de ter minha filha de volta. Que isso não aconteça com mãe nenhuma.”
O caso segue sob investigação.
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Após tumulto no pré-carnaval, Nunes anuncia mudanças nos megablocos da Consolação
Prefeitura vai proibir parada de trios elétricos e liberar Praça Roosevelt para melhorar dispersão no…
