Proposta prevê lojas, restaurantes e academia no espaço histórico ligado ao paisagista Roberto Burle Marx
A proposta de transformar a antiga Serraria do Parque Ibirapuera em um centro comercial voltou a gerar debate em São Paulo. O projeto, apresentado pela concessionária Urbia, prevê a instalação de lojas, restaurantes e uma academia no espaço histórico localizado dentro do parque.
A análise do projeto pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) foi adiada novamente após pedido de vistas do presidente do conselho, Ricardo Ferrari Nogueira. Ainda não há nova data para a retomada da discussão.
Enquanto isso, associações de moradores e entidades da sociedade civil manifestam oposição à proposta.
O que prevê o projeto
A ideia da concessionária é transformar a Serraria em um centro comercial integrado ao parque, com:
- lojas e restaurantes
- academia
- ocupação de oito módulos no térreo
- construção de um pavimento superior com dois acessos
Segundo a Urbia, o projeto faz parte de um plano de revitalização da Praça Burle Marx, área considerada pouco utilizada atualmente.
Em nota, a concessionária afirma que a proposta busca valorizar o patrimônio histórico e ampliar o uso público do espaço.
Críticas de moradores e entidades
Organizações reunidas no Fórum de Associações Civis e Coletivos da Cidade de São Paulo criticam o projeto e defendem que o parque deve manter seu caráter público e cultural.
Em nota, o grupo afirma que:
- o Parque Ibirapuera é um patrimônio público da cidade
- o espaço possui valor ambiental, paisagístico e cultural
- mudanças estruturais devem considerar participação da sociedade
Segundo o fórum, o projeto seria inadequado para um bem tombado, pois poderia comprometer o conjunto histórico do parque.
Parecer técnico contrário
A área técnica do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) também apresentou parecer contrário à proposta.
De acordo com o órgão, o projeto ultrapassa os limites de ocupação permitidos no Plano de Intervenções do parque:
- 57% de ocupação no térreo (o limite seria 50%)
- 89% no pavimento superior (o limite seria 30%)
O documento afirma que a intervenção pode prejudicar o paisagismo e limitar o uso público do espaço, além de impactar um raro projeto do paisagista Roberto Burle Marx na cidade.
A origem histórica da Serraria
A Serraria foi construída na década de 1940, antes mesmo da inauguração do parque, que ocorreu em 1954.
Inicialmente, o local era usado para:
- manutenção de bondes
- atividades de marcenaria
Em 1992, o espaço passou por uma requalificação conduzida por Burle Marx, que criou uma praça com espelhos d’água e vegetação nativa no entorno, conectando a área ao Viveiro Manequinho Lopes e ao complexo cultural do parque.
Hoje, o espaço é utilizado para feiras, atividades culturais, rodas de leitura e lazer ao ar livre.
Próximos passos
A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo informou que qualquer intervenção no parque precisa da autorização do Conpresp.
O tema deve voltar à pauta do conselho na próxima reunião prevista para segunda-feira (9), quando o projeto poderá ser novamente discutido.
HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo
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