Trabalhadora sofreu queimaduras durante evento de carnaval em Mogi das Cruzes e permanece em estado delicado
A funcionária de buffet Jennifer Rodrigues Monteiro, de 30 anos, continua internada cerca de um mês após sofrer queimaduras graves enquanto trabalhava em uma festa de carnaval no Clube de Campo de Mogi das Cruzes, no município de Mogi das Cruzes.
O acidente ocorreu no dia 13 de fevereiro, durante um evento realizado no clube. Desde então, a trabalhadora permanece hospitalizada e ainda depende de ventilação mecânica para respirar, segundo familiares.
A família afirma que tem recebido pouco apoio das empresas envolvidas na organização do evento e cobra maior assistência durante o período de recuperação.
Estado de saúde ainda inspira cuidados
De acordo com a tia da vítima, Adriana Rodrigues, Jennifer apresenta quadro estável, mas ainda delicado.
Segundo a familiar, a vítima passou por traqueostomia, cirurgias de enxerto de pele e enfrentou uma infecção na pele, que já foi controlada.
“Ela segue estável, mas ainda tem dificuldade para respirar sem a ventilação mecânica. O quadro continua sendo de risco”, afirmou Adriana.
No dia 17 de fevereiro, Jennifer foi transferida para a Santa Casa de São José dos Campos, unidade especializada no tratamento de pacientes com queimaduras.
Família relata mudanças na rotina
Jennifer é mãe de cinco filhos. Após o acidente, a rotina familiar precisou ser reorganizada.
- Os dois filhos mais velhos, de 12 e 11 anos, passaram a morar com o pai.
- Os três mais novos, de 7, 6 e 4 anos, ficaram sob os cuidados da tia.
Segundo Adriana, a família precisou reorganizar completamente a rotina para garantir cuidados às crianças enquanto a mãe permanece hospitalizada.
“Minha vida virou de cabeça para baixo desde aquela madrugada. Hoje estou com três crianças pequenas, que precisam de rotina, escola, alimentação e cuidados”, disse.
Família reclama de pouco apoio
A família afirma que o buffet onde Jennifer trabalhava como freelancer tem prestado apoio limitado desde o acidente.
Segundo Adriana, a empresa tem enviado alimentos, produtos de limpeza e algum auxílio financeiro para ajudar o irmão da vítima a visitar o hospital e, em alguns momentos, pagar hospedagem.
Já o Clube de Campo de Mogi das Cruzes, onde ocorreu o evento, não teria mantido contato com a família após o dia do acidente, segundo a familiar.
“Um diretor foi até o hospital no dia e disse que daria todo o suporte para as crianças dela, mas depois disso ninguém mais nos procurou”, afirmou.
A reportagem também procurou o buffet responsável pelo evento, mas não houve retorno até a última atualização desta matéria.
Caso pode gerar indenização, diz advogado
Segundo o advogado trabalhista Gustavo Triboni, acidentes ocorridos durante atividades profissionais podem gerar responsabilidade das empresas envolvidas, mesmo quando o trabalho é realizado de forma eventual ou como freelancer.
Em atividades comuns em eventos e cozinhas que envolvem fogo, líquidos quentes ou substâncias inflamáveis a Justiça costuma aplicar o conceito de responsabilidade objetiva.
“Basta demonstrar que o acidente ocorreu durante o trabalho e que a atividade envolvia risco”, explicou.
Nesse tipo de situação, a empresa contratante pode ser obrigada a arcar com:
- despesas médicas
- custos do tratamento
- indenizações por danos morais e materiais
- compensação pela perda de renda durante a recuperação.
O advogado afirma ainda que o local onde o evento ocorreu também pode ser responsabilizado, dependendo das circunstâncias.
“Se houver relação entre o ocorrido e as condições de segurança do espaço ou a organização do evento, o estabelecimento que sediou a festa também pode responder pelo caso.”
Segundo ele, caso o suporte das empresas não seja suficiente, a família pode recorrer à Justiça para garantir os direitos da vítima.
Relembre o caso
Jennifer Rodrigues Monteiro ficou ferida depois que um réchaud, equipamento utilizado para manter alimentos aquecidos em eventos, pegou fogo durante a festa de carnaval “Abre Alas”, realizada no Clube de Campo de Mogi das Cruzes, na noite de 13 de fevereiro.
Segundo o relato de uma pessoa que estava no evento, o incêndio começou quando a funcionária abastecia o equipamento com álcool. O fogo se espalhou rapidamente e atingiu a trabalhadora.
Ela foi socorrida e levada para atendimento médico. Inicialmente, a Santa Casa de Mogi das Cruzes informou que Jennifer teve 31,5% do corpo queimado. A família, no entanto, contesta essa estimativa e afirma que a área atingida pode ser maior.
O que diz o clube
Em nota, o Clube de Campo de Mogi das Cruzes informou que o socorro à vítima ocorreu rapidamente após o acidente, por meio de uma ambulância que estava de prontidão no evento.
Segundo a instituição, a funcionária foi encaminhada para atendimento médico de urgência em uma unidade hospitalar.
O clube afirmou ainda que a presidência segue acompanhando o caso dentro de seu papel institucional e destacou que o episódio foi um fato isolado.
“Por fim, importante ressaltar que, em 68 anos de existência, este foi o primeiro incidente com vítimas registrado no clube algo pontual.”
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